19 de junho

hoje foi um dia importante!

A Lili passou por cá e portei-me muito bem 🙂

levei uma seca de quase 3 horas à espera da junta médica, mas a questão do prolongamento da baixa está resolvido, mas esse tempo deu-me tempo para pensar no que ando a fazer…

Juntei várias coisas:

  1. a ideia do Rui Baião de ler uns livros
  2. a ideia do Pais Lacerda  de em vez de fazer o jogo com cartas, fazer o jogo com nomes
  3. o facto de no jogo das cartas estar a começar a sistematizar algoritmos, o que desvirtuza o objetivo (género abrir uma carta e depois ir abrido outras, duas de cada vez, sem as decorar até descobrir a combinação certa com a carta inicialmente aberta)
  4. uma ideia que alguém postou de no final disto, transformar isto em livro (coisa que não vai acontecer :-))
  5. e o sentimento que se continuo a simplesmente a reportar médias, isto passa a no mínimo a ser monótono

Assim deixei o jogo das cartas, e quando cheguei a casa, fui tratar da minha participação no ensaio clínico, e depois fui escolher um livro.

Comecei pelo autor e sabendo quanto o Pedro Coelho gosta do Eça e a informação que o João Ribeirete me passou que Machado de Assis era  inspiração e reserva estilística do Eça, escolhi-o.

Calhou ter o Dom Casmurro no meu Kindle e portanto, já o comece a ler, com dois cuidados especiais

  1. fixar o nome das personagens
  2. fixar a história

(sempre que me escrever “…” é porque tive de voltar atrás procurar o nome)

desta forma já li os primeiros capítulos do Dom Casmurro do Machado de Assis e deixem-me dizer que estou apaixonado pelo livro.

começa logo bem, com uma alusão ao processo criativo e sendo o livro uma auto bibliografia, o autor diz que são os “4 génios” que tem pintados na parede (antigos imperadores romanos) que vão ter um papel fundamental na escrita do livro.

assim de memória 🙂 a história começa com o Betinho (Dom Casmurro) escondido a ouvir uma conversa entre “gente crescida”.

A mãe, dona Gloria, pessoa muito religiosa e de posses por herança do marido e de fortuna própria, prometeu a Deus que se o segundo varão vingasse, seria padre. Ora o marido, Pedro, homem alto e de bom porte, faleceu ainda Betinho era novo e portanto dona Gloria, não teve tempo de contar-lhe dessa promessa e apesar de uma estrita educação religiosa, dada em casa pelo padre … Cabral, Betinho brinca às missas mais para comer o biscoito do que para qualquer outra coisa, mas o que mais preocupa os adultos são as brincadeiras com a vizinha … Capitú (lembrava-me de Itapu).

Nessa conversa participaram Dona Gloria, a prima Faustina, José Dias (um homeopata intrusão que soube ir-se mantendo a viver na família) e o tio Cosme (esta foi quase, o nome que tinha na cabeça era Cosmo)

O tio Gosme é um advogado gordo e pesado, bajulado por José Dias, individuo orgulhosamente pobre, de roupa sempre impecavelmente remendada

(enxertada no meio do livro há uma parte uma ideia mais exotérica, onde alguém defende que o mundo é uma ópera onde Deus fez o libreto e o Demónio fez a música, e que durará enquanto os dois entenderem)

Mas voltando para a história principal, ouvir esta conversa desperta todos os sentidos a Beto, que com 15 anos percebe que nada do que se passava com Capitu era afinal inocente. E que apesar de ele nunca ter entendido, Capitu, então com 14 anos, ela sempre lhe disse que gostava dele. Cada toque no cabelo que recebia dela, cada relato de um sonho, cada brincadeira que tiveram, tinha sido desigual na afectividade. Para ele, era apenas mais uma brincadeira, para ela uma demonstração de amor.

Quando ainda eram novos, os pais abriram uma porta entre os jardins e por essa porta Beto vai ter com Capitu quando ouve a mãe dela dizer para ela não riscar a parede. Quando ele chega ao pé dela vê os dois nomes escritos na parede gravados com um prego, e partilham as mãos e depois, o olhar.

Nessa altura chega o pai de Capitú, que risca furiosamente o que estava no reboco da parede e ……. amanhã há mais

entretanto ligaram-me do HSM, parece que se calhar vou ter de atrasar mais um dia o inicio do tratamento, e fazer uma nova ressonância magnética por causa do estudo clínico onde vou entrar. Começo a ficar mesmo muito preocupado com estes atrasos, porque estou no limite do que me disseram que era aceitável esperar entre a cirurgia e o início dos tratamentos (o próximo dia 25)  … há duas semanas o Dr Bravo Marques (outro nome que memorizei  🙂 ) disse-me como razão para não me “puxar” para o IPO (como se eu o quisesse…) que teria de ir para a lista de espera da radioterapia, e os timmings para iniciar os tratamentos estavam a aproximar-se… vamos ver o que o dia de amanhã nos espera ….

7 thoughts on “19 de junho

  1. Que susto! Julgava que ias dizer que a minha companhia tinha sido uma seca!!!! Por mim adorei estar contigo, estava cheia de saudades tuas. A tua companhia é sempre refrescante, cheia de energia positiva!!!

    Continua a transcrever o Dom Casmurro, estou a gostar de te ler!!!

    Obrigada e muitos beijinhos.

  2. Como deves imaginar, livros e personagens parecem-me muito bem :-). Agora, promete-me que o próximo que leres será em papel e não nessa coisa esquisita do kindler… Porque, como dizia o Umberto Eco, “O livro é como uma colher, tesouras, um martelo, a roda. Uma vez inventado, não pode ser melhorado.”Vou ver se aí passo para te deixar um, “dos verdadeiros” ;-).

    1. moderniza-te priminha 🙂

      sabes que no preço de um livro 10% vai para a parte criativa e 90% vai para coisas como o papel, tinta, stocks, margens comerciais e coisas desse género… ter uma industria toda em cima deste tipo de tecnologia permitia que quem produz possa ganhar mais pelo valor e pelo acesso a um mercado muito maior.

      Vais ver que o futuro vai passar pela desmaterialização do livro… enfim já é a 4ª vez.
      já ninguém usa a pedra
      já ninguém usa o barro
      já ninguém usa o papiro
      a próxima peça é a celulose 🙂

        1. cada carga de um kindle dá ai para um mezinho …. chega? 🙂

          é que uma coisa é um tablet que serve para mil coisas, outra é um eBook que só serve para ler livros e têm uma tecnologia completamente diferente

  3. Fiquei muito contente pelo comentário do José Velez: afinal não sou o único com duas mãos esquerdas para os “bloguios”! Só que eu sou um desbocado e comecei logo a queixar-me. Valeu a pena, assim já todos sabemos como funciona o report.
    Sempre achei que jogos de cartas e paciências eram para batoteiros. Ficas muito melhor servido com os livros. Além de que é mais instrutivo.
    Acho que o Dom Casmurro foi uma boa opção. É muito boa literatura em língua portuguesa.E quanto mais personagens melhor. Sempre quero ver como resolves o caso na literatura chinesa (mesmo traduzida)! MO YAN !
    Agora um conselho: quando fores fazer as maroteiras que estão previstas no HSM, ao entrares no jardim do mesmo, não penses nelas. Olha antes para o teu lado direito. Verás duas hastes de metal altas, encimadas por duas flores grandes, também de metal escuro. São um par de lindas esculturas do Rui Chafes, homenagem do escultor a todos (a começar pelo João Lobo Antunes) que o salvaram a ele e à Mulher de um acidente brutal que por muito pouco não os mandava para os anjinhos.
    Prá Frente!
    Abç

  4. Só agora percebi pela tua resposta ao Rui que os comentários não ficam imediatamente disponíveis. Eu bem que me fartei de de publicar e republicar e nada… só indicações simpáticas de que estava a “publicar muito depressa” (!) e a “colocar comentários repetidos”… isto sem ver nenhum dos que alegadamente publiquei em excesso de velocidade.

    Estive a um tiquinho de te abrir um defect!

    Esta evolução na linha editorial é um bónus. Colocares aqui a versão Digest dos livros é uma excelente ideia. Para quando pensas publicar a tua versão condensada escolar dos Maias? Ainda sai a tempo dos exames?

    Continua o bom trabalho.

    Abraço

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