Meus queridos amigos
hoje foi um dia para me centrar nos primeiros 3 objectivos
- descansar
- tratar-me
- trabalhar a memória recente
(sorry Carlos, mas nesta fase é complicado fazer mais do que já estou a fazer)
coisa que tem sido difícil de fazer porque nos últimos dias aparece-me um apito permanente na cabeça, que é um chato 🙁
hoje fui para o HSM fazer uma data de porcarias ligadas ao ensaio clínico onde vou participar, fui para lá ás 10 e pouco, voltei pouco faltava para as 17 🙁
no resto do tempo continuei a ler o Dom Casmurro, e aqui vai a continuação do resumo que comecei ontem
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o pai de Capitu não entende o que se passa e ainda agrava mais o deslumbre que Bento sente porque começa a elogiar a beleza e as qualidades de Capitu. O pai de Capitu é um homem baixo de membros curtos e de costas arqueadas razão pela qual José Dias lhe chama tartaruga. Este homem é um ornitólogo e teve um período da sua vida de razoável abundância, por razão de ter recebido interinamente uma posição de administração. Quando isso desaparece, o homem entra em depressão com constantes referências a suicídio, então ultrapassadas por Dona Gloria, uma vez que a mãe de Capitu (… Fortunata) tem dificuldade em o fazer
Bentinho vai falar com Capitu para lhe explicar a conversa que na véspera assistiu às escondidas sem explicar no entanto que o centro da conversa não tinha sido a relação entre os dois mas sim a sua entrada para o seminário. Catipu age inicialmente de uma forma violenta conta a Dona Gloria, mas rapidamente muda de posição e passa a um processo sistemático de racionalização e de tentativa de perceber quem disse o quê, com que palavras, com que entoação.
na estratégia que esboça, o tiu Cosme é uma peça inerte, que vai procurar a continuidade, onde vale pouco investir
a prima Justina é melhor mas também sem se poder esperar dela grande coisa
O padre Cabral seria uma hipótese se fosse convencido que Bentinho não tinha vocação
Dona Gloria teria de ser convencia apelando à felicidade do filho e tentando trocar essa promessa por uma qualquer outra
sendo um parasita, Jose Dias, tem de perceber que a existência dele na família depende da vontade de Bentinho em o manter e portanto deve tomar a sua posição
Porque Bentinho não tem a maturidade de Capitu, promete falar com todas estas pessoas, mas promete 1000 pais nossos e 1000 avés marias, que se juntam a centenas de outras promessas nunca cumpridas. Enquanto Capitu pensa racionalmente, Bentinho parece perdido na definição do que vai fazer, e chega mesmo a pensar falar diretamente com o imperador para que ele interceda junto da mãe para que ela o ponha em medicina evitando assim que ele se afaste de Capitu
quando volta a casa, Bentinho encontra a prima Justina na varanda do jardim e a conversa acaba por ir parar a entrada dele para o seminário. Beninho diz-lhe que não quer ir e pede-lhe ajuda e a prima diz que nunca tomaria a iniciava de ir falar com Dona Gloria, mas se ela lhe perguntasse, tomaria a posição de Bentinho
a conversa com o José Dias corre de uma forma mais preparada. Saem ambos numa manhã e inicialmente o José Dias mostra-se totalmente surpreso, mas acaba por ter uma ideia. sugerir que Bentinho vá para direito e para a europa, sendo que nessas circunstâncias ele o podia acompanhar e tratar de toda a logística da viagem. Este cenário entusiasma-o de uma forma tão expressiva que sem se comprometer com os resultados, promete empenhar-se na luta para conseguir este desígnio
Bentinho vai ter com Capitu para lhe contar o estado das conversas e do nada, e mesmo de uma forma ainda inocente, pede-lhe para lhe tratar do cabelo, que é descrito com um detalhe lindíssimo e que no fim acaba num primeiro beijo entre os dois, com toda aquela magia e surpresa do primeiro beijo
entretanto o padre Cabral é promovido a protonotário e nesse contexto José Dias diz pela pela primeira vez que Bentinho não ira para padre, coisa que é sempre negada e desvalorizada pela mãe.
mais tarde Bentinho e Capitu voltam-se a encontrar com todas as subtilezas e receios de um primeiro segundo encontro, Bentinho atrapalha-se com o que ia dizer, Capitu recupera o momento e Bentinho tenta roubar-lhe um segundo beijo, coisa que não consegue, apesar de no último segundo, mesmo antes do pai entrar na sala, ter recebido o beijo que tinha tentado em vão roubar
Capitu vai dar os parabéns ao padre Cabral por uma promoção que recebeu (protonotário eclesiástico), onde estão lá todos e onde a conversa acaba por ir para à ida de Bentinho para o seminário. o Padre Cabral defende que é a vontade de Deus que separa quem tem ou não vocação para o sacerdócio. José Dias defende que há outras formas de servir Deus que não necessariamente a entrada num seminário). No final Bentinho vai atrás de Capitu, mas esta recusa-lhe um terceiro beijo
Bentinho vai falar com a mãe para lhe explicar que não tem vocação, mas a conversa não lhe corre bem. A mãe explica a Bento que foi uma promessa dela, que ser padre é uma vida, que se acaba por gostar e que não seguir por ai seria um enorme agravo a Deus.
Bento explica a Capitu o que se passou na conversa e ela pergunta se ele tem medo, abrido a hipótese de fugirem os dois, como fazem os grandes amores. Porque é imaturo, porque não entende a pergunta, porque demorou a responder, perde a oportunidade e Capitu, chamando-lhe medroso com uma pequena palmada na cara e não volta ao assunto.
o que se passa seguir é o inicio da destruição da relação, sempre por mal entendidos, sempre por falta de maturidade, sempre a pensar que ia produzir uma reação diferente no outro. 🙁
ela pergunta-lhe se gosta mais dela ou da mãe, ele demora a responder e estraga a resposta que ela gostaria de ouvir, e quando a pergunta já era se ele estivesse no seminário e ela precisasse dele dele, se ele vinha, ele respondeu que sim, e ela escreveu no chão “mentiroso”
depois Bento, acha que se lhe disser que a vida eclesiástica não é assim tão má, ela vai ficar destruída e cair-lhe nos braços, e o resultado é que acabam a falar que é melhor ser cónego que padre porque tem meias roxas
a conversa acaba com Bento a pedir-lhe dois favores, ser ele o seu confessor para sempre (que ela aceitou) e que fosse ele a casá-la, coisa que ela não aceitou, mas prometendo que seria ele a batizar o primeiro filho.
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e é neste lindo estado que deixei a história hoje 🙁 mas ainda não chegamos a meio do livro 🙂 e esta nova forma tem de facto mais jeito que estar a medir tempos de virar cartas e a questão dos nomes é importante (obrigado Pais Lacerda 🙂 )
Amei Dom Casmurro!!! Uma excelente leitura!!!! Deixa-me feliz ver que tu também andas a discutir a relação de Bento!!! Li há muito tempo, e tens me refrescado a memória….
Com essa do kindler é que não me convences….
100% de acordo com a tua prima Filipa. E viva o Umberto Eco e tudo o que ele escreveu e disse!
Eu sei que fiz toda a minha vida profissional associado à tecnologia state-of-the-art, mas o livro é qualquer coisa que se manuseia, que se passa as folhas, que se volta atrás, que se guarda com veneração na estante, que se sublinha, que se dedica aos amigos no dia de anos… O tacto entra no prazer da leitura, bem como o olfacto!
E essa dos custos… Vai perguntar aos autores o que estão a ganhar com o livro electónico…
Estou já farto dessas promessas de um mundo melhor pela inclusão total do computador.
Útil e indispensável, sim. Panaceia, não.
Prá frente!
mas olha… e que percentagem do mercado total é que e hoje no ebook? e na feira do livro, vês lá malta com hot-spots a dizer compre os livro que quiser a 1 Euro, temos um catalogo com 10 milhões de títulos, ou vez dezenas de barraquinhas a vender livro físicos acima de 10 euros?
e o Marcelo é lá visto a comprar livro físicos, ou compra-os em casa para o seu Kindle?
explica-me lá o que é que a celulose tem para os livros, que o vinil não tinha para o vinil? e o que é que aconteceu ao vinil?
ainda tens o poderoso loby das editoras a defender os seus 90% e ainda não apareceu ninguém a fazer o que a Aple fez na música, mas que vai acontecer… à isso é certo 🙂
Estou fascinado com a história e com a forma que adotaste para treinar a memória. Espetáculo! Em boa verdade, acho que muita gente devia fazer o que estás a fazer. Hoje em dia, talvez por o acesso à informação ser muito fácil, as pessoas, em geral, descuram muito a memória, o que não é bom (digo eu…). Grande abraço.
O meu papá é um espetáculo!!!!! Todos os dias me deixa com mais orgulho…
Grande papá, ENORME Raquel
Assinado
Raquel (só para baralhar a malta)
Parece que as idas ao HSM são mais longas que muitos dias de trabalho… falo pelo menos da CML
que cada vez que ligo, ou a senhora ainda não chegou ou já saiu…deves ficar exausto!
Força!
Parece que estás a disfrutar do livro… boa! Nesta fase, para mim, ler livros só mesmo assim já resumidos, obrigada:)
brevemente tens o António e o Dinis e pedir para resumires os livros de português…
muitos beijinhos,
Sara
Ps: espero que este comentário passe a