3 de julho

Então tenho de partilhar convosco que hoje vim todo contente do hospital 🙂

Como se lembrarão, no sábado assumi o objetivo de subir as plaquetas, e comecei a comer iogurte com flocos de aveia, alho e frutas como se não houvesse amanhã e no domingo fui à praia com protetor 50 na cicatriz, toca e chapéu (que os bons resultados não aparecem do nada) e …… resultou 🙂 🙂 🙂 🙂 🙂 🙂 🙂 🙂

A médica nem quis partilhar o valor que lhe tinha feito dispara o alarme sábado de manhã, mas plaquetas baixas significa estar abaixo de pelo menos 100k…. e hoje fiz análises e deu 115k o que significa que o meu corpo em dois dias recuperou pelo menos 15% das plaquetas perdidas 🙂

No final da consulta, na brincadeira, a médica até me perguntou qual era a marca do iogurte que eu tinha comido 🙂

Assim, continuo a fazer a quimio terapia, e quando for para a nova dose do produto do ensaio clínico (já na quinta) volto a fazer testes.

E mais… hoje cheguei cedo ao hospital, mas um senhor lá do balcão de atendimento enganou-se e mandou-me para as análises gerais, que estava uma confusão tão grande que não passa pela cabeça. Estive das 9:30 até quase ao meio dia, de pé a olhar para um ecrã a ver as senhas a não passar

Os enfermeiros estavam de greve e eram centenas de pessoas à espera

Mas depois, mexi-me e afinal, por estar no ensaio clínico podia / devia fazer a recolha noutro sítio que até estava a funcionar normalmente.

A partir dai foi tudo tudo rápido e correu como desejávamos ou seja, hoje o dia correu 100% fantástico 🙂

Sobre o objetivo de exercitar a memória de curta duração e manter a capacidade de trabalho, hoje temos mais um ponto do Fernando Pessoa que se chama “A pintura do automóvel” e lê-se num folgo.

A historia começa pelo narrador dizer que comprou um carro azul e que as pessoas lavam os carros por vários motivos; para fazer exercício, por passatempo, para ter o carro limpo… mas que no caso dele, cedo percebeu que o que fazia não era lavar o carro, era passar a tinta do carro para a camurça.

Assim sempre que lavava o carro o carro ficava menos azul, e a camurça mais azul

Passado um ano, o carro precisava de ser pintado e ele foi falar com o Bastos das avenidas novas para lhe perguntar que esmalte deveria usar

O Bastos disse-lhe que era …Berrylod tratando-o de uma forma muito rude, perguntando-lhe porque é que o tinha ido incomodar quando qualquer chofer que soubesse a diferença entre um carro e uma lata de sardinhas, lhe teria sabido responde

O narrador deixou o carro com Bastos e o resultado foi fantástico. O carro nunca mais teve qualquer problema, o esmalte era fantástico

O sucesso foi tão grande que quando teve de comprar um carro novo, perguntou logo se a pintura era com Berrylod e como era, comprou. E ainda hoje continua feliz com um esmalte infinito e uma camurça também infinita

E é só isto, talvez numa meia dúzia de páginas… agora digam-me lá se este Fernando Pessoa não era uma panca!!!

e não imaginam as saudades que já tenho de trabalhar a sério… se não fosse esta ocupação de tantas horas por dia, eu ainda arriscava e começava era já a trabalhar à séria em vez de andar a ler contos e depois fazer os resumos do que me lembro

9 thoughts on “3 de julho

  1. Olha, Pedro, cuidado, não partas os dentes a comer aveia com iogurte!
    Quanto à panca …. queres mesmo discutir quem é tem uma grande panca na cabeça? Hehehe
    Vivós iogurtes com aveia, ou a aveia com iogurte
    Ailaviú, primo

  2. O problema do Fernando Pessoa era que era mais dado a outras coisas do que a iogurte com aveia… também não apanhava sol no Baleal…

  3. Essas plaquetas que se cuidem que já vi que tens a técnica toda! É assim mesmo!

    Ontem nas notícias ouvi falar da confusão por causa da greve. Estou a ver que um ensaio clínico (de qualidade como o teu!) até consegue dar volta a uma greve!

    Enquanto estava a ler o teu resumo do conto estava a pensar com os meus botões que o meu carro também precisa de um pintura…. :-). Mas a que lhe falta não fui eu a tirá-la com uma camurça….

    Grande abraço!

  4. Tenho para mim de, que para além do iogurte , aveia e alho, o dia de domingo tão descontraído e agradável junto da família / amigos, a par com a tua entrega e convicção, tb tiveram o seu contributo para esses resultados eheheh
    Que dias fantásticos como este se repitam com mais frequência.
    Abraço

    1. Isso mesmo, concordo com o Goncalo.,foi um belo domingo…., Quando eu vier, para o ano, quero um almocinho cozinhado por ti na tua cozinha nova (:
      Ate Domingo
      Ana

  5. PARABÉNS! Dou a mão à palmatória! És uma força da natureza.
    Es teimoso que te fartas, no bom sentido.
    Pena teres os anos da tua filha no sábado, estávamos a contar contigo.
    PRÁ FRENTE!
    Abç

  6. Que bom, percebesse que estas de óptimo espírito, isso é um enorme passo em frente! Beijinhos e obrigada pela conto!!!

  7. Um dia de boas notícias, o que me deixa muito feliz… Aliás , qual é a marca desse iogurte???? Kkkkkkkk
    Preciso perguntar o que significa “… agora digam-me lá se este Fernando Pessoa não era uma panca!!!”
    Aqui no Brasil nunca ouvi essa frase!!!
    Beijinhos meu querido

    1. Olá priminha ☺

      Como quarta pessoa a fazer-me essa pergunta, no post de hoje eu explico a receita ☺

      E “panca” vem de pancada na cabeça que se associa ficar meio maluco

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